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Trabalho e representação na agenda eleitoral
Eleições 2026 devem colocar em debate emprego, remuneração, jornada, proteção social e também o fortalecimento sindical, que é essencial à defesa de direitos, ao equilíbrio nas relações e à democracia. É fundamental que candidatos assumam compromissos com essas questões que dizem respeito diretamente às condições de vida da população.
As eleições gerais de outubro devem ser oportunidade para que a sociedade conheça as propostas dos candidatos para o desenvolvimento do País e seus compromissos com o mundo do trabalho. Afinal, qualquer projeto que pretenda promover crescimento econômico e melhoria das condições de vida da população precisa considerar aqueles que produzem a riqueza nacional.
É fundamental, portanto, que candidatos à Presidência da República, aos governos estaduais e ao Legislativo apresentem suas posições sobre emprego, remuneração, jornada, proteção social, novas formas de contratação e impactos das transformações tecnológicas.
Essa agenda deve incluir necessariamente as condições de organização e representação dos trabalhadores. Diante do poder econômico das empresas, é pela ação coletiva que os profissionais, por meio de suas entidades representativas, podem defender seus interesses, negociar de forma mais equilibrada e participar das decisões que afetam sua vida profissional e a sociedade.
Para que isso seja possível, os sindicatos precisam ter meio adequados de atuação. A reforma trabalhista de 2017 representou um duro golpe nesse sentido, ao fragilizar as entidades e reduzir sua capacidade de representação, sem oferecer um modelo sustentável de financiamento da atividade sindical. Superar esse quadro e valorizar a negociação coletiva devem estar entre os compromissos dos candidatos e futuros eleitos.
Fortalecer o movimento sindical é também essencial à democracia. As entidades representativas são instrumentos de organização e participação dos trabalhadores, dando voz coletiva a milhões de cidadãos e contribuindo para o necessário equilíbrio entre os diversos interesses presentes na sociedade. Sua atuação não se restringe às relações de trabalho, mas alcança o debate sobre políticas públicas e os rumos do desenvolvimento nacional.
Essa atuação ganha importância ainda maior diante das profundas transformações em curso no mundo do trabalho, que afetam o conjunto da mão de obra, inclusive os engenheiros, alterando o mercado, as formas de contratação e as exigências profissionais. A defesa de remuneração compatível com a qualificação, condições adequadas para o exercício da profissão e valorização exige representação coletiva forte.
Cabe, portanto, aos candidatos explicitar o que pretendem fazer para avançar nessa direção. O tema precisa estar na agenda dos futuros governos e do Congresso Nacional. Quem for eleito em outubro terá a responsabilidade de enfrentar desafios decisivos para o futuro do Brasil. Tal missão não pode ser cumprida a contento sem incluir os trabalhadores e sua representação.
Eng. Murilo Pinheiro – Presidente








