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07/04/2026

Mudança, desafios e o papel transformador da engenharia

Marco Aleksandravicius

 

Mudança como condição para evoluir

 

Imagem: FreepikO mundo corporativo vive um ciclo permanente de transformação. Tecnologias emergem, modelos de negócio são reinventados, novas demandas sociais e ambientais surgem a cada dia. Nesse contexto, estar aberto à mudança deixou de ser diferencial e passou a ser condição essencial para a sobrevivência e o crescimento profissional, especialmente na engenharia.

 

Mudar significa evoluir. É um processo que pode ocorrer de forma consciente e estratégica ou até mesmo imposto pelas circunstâncias. No ambiente organizacional, muitas vezes nos deparamos com frases como: “Sempre foi assim”, “Agora não é o momento”, “Nosso negócio é diferente”, ou “Vamos esperar a economia melhorar”. Essas expressões podem revelar resistências ainda, receio diante do desconhecido.

 

Entretanto, o verdadeiro diferencial está na capacidade de antecipação. Acredito que o processo de mudança pode ser compreendido em diferentes níveis, considerando o esforço aplicado ao longo do tempo – seja de forma voluntária e estratégica ou até mesmo reativa e emergencial, conforme modelos clássicos de gestão da mudança que relacionam tempo e intensidade de esforço organizacional. Quanto mais cedo a transformação é iniciada, menor tende a ser o impacto e maior a capacidade de planejamento.

 

Como observamos no gráfico a seguir:

Fonte: Eng. Marco Aleksandravicius

 

Podemos absorver as mudanças de maneira voluntária (participativa), antecipando-nos aos problemas futuros, visando o crescimento e acompanhando a evolução. Ou podemos ser forçados a mudar pelas circunstâncias (maneira impositiva), muitas das vezes relacionadas ao resultado insatisfatório, ligado às mais diversas pressões, como questões familiares, empresariais, políticas, de saúde, econômicas ou tecnológicas.

 

Dentro das organizações identificamos, por exemplo, como se dá a própria promoção de um colaborador que se destaca. Normalmente ocorre de forma impositiva, em que ele simplesmente é empossado ao novo cargo e muitas vezes, por falta de capacitação e preparo, o resultado não é satisfatório, ocasionando a perda de um excelente profissional. Para um resultado melhor, porém, sugere-se seguir de forma participativa, capacitando-se esse profissional para sua nova atuação, de acordo com o novo processo e atividades.

 

Para o profissional da engenharia, isso implica reconhecer que a transformação do ambiente externo exige, necessariamente, uma transformação interna, através de atualizações constantes, desenvolvimento de novas competências, ampliação da visão estratégica e adaptação às demandas tecnológicas e sociais.

 

Desafios como oportunidades de crescimento

 

Mais do que tratar obstáculos como problemas, é preciso encará-los como desafios que impulsionam o desenvolvimento. Em um cenário de transformação digital, sustentabilidade, inovação e mudanças regulatórias, o profissional da engenharia é constantemente provocado a sair da zona de conforto.

 

Desafios exigem disciplina, organização e gestão eficiente do tempo. Assim como empresas estruturam seus processos para alcançar resultados, o profissional também precisa organizar sua rotina, estabelecer prioridades, investir em capacitação e manter o equilíbrio entre vida pessoal e carreira.

 

A postura diante dos desafios define os resultados. Uma atitude reativa limita possibilidades, uma atitude proativa cria oportunidades. Profissionais da engenharia que compreendem isso passam a enxergar mudanças não como ameaças, mas como terreno fértil para inovação e crescimento.

 

Engenharia como agente de transformação

 

Como engenheiro, empresário, diretor do SEESP e coordenador do Núcleo Jovem Engenheiro (NJE) desse sindicato, tenho a feliz oportunidade de absorver conhecimentos e utilizar minha experiência para contribuir com boas mudanças em prol da sociedade.

 

A engenharia é, por essência, um agente de transformação. Está presente na concepção, no planejamento e na execução de soluções que impactam diretamente a qualidade de vida da população. Toda infraestrutura urbana, todo processo industrial, toda inovação tecnológica passa, de alguma forma, pela atuação de um profissional da engenharia.

 

No âmbito do SEESP, essa transformação ocorre por meio da defesa técnica e institucional da categoria, da valorização do piso salarial profissional, da orientação à carreira, da assessoria jurídica e do fortalecimento do diálogo entre profissionais e empresas. Essas ações contribuem para garantir condições dignas de trabalho e elevar o padrão da engenharia.

 

Já no NJE, em especial, o impacto se dá junto aos estudantes e jovens profissionais. A realização de palestras em universidades, seminários técnicos, visitas a grandes empresas dos setores industrial e tecnológico, além de visitas técnicas a obras de infraestrutura e participação em feiras e eventos especializados, amplia a visão prática dos futuros profissionais da engenharia.

 

Essas experiências aproximam teoria e prática, fortalecem o networking e estimulam o protagonismo profissional desde o início da carreira. Todas essas atividades ampliam conhecimento, capacidades, estimulam comportamento e atitudes significativas.

 

A engenharia está diretamente ligada à tomada de decisão, estratégia, inovação e responsabilidade social. Atua nas discussões sobre sustentabilidade, transformação digital, mobilidade urbana, transição energética e soluções climáticas. É ela que garante a segurança, qualidade e eficiência nos empreendimentos que estruturam municípios, estados e países.

 

Ser engenheiro é aceitar o compromisso permanente com a mudança. É compreender que cada desafio representa uma oportunidade de construir soluções melhores. É reconhecer que a evolução do mundo exige evolução pessoal.

 

A engenharia não apenas acompanha as transformações – ela as conduz.

 


 

Marco Aleksandravicius, diretor-proprietário da Consultoria QWC Gestão Empresarial, é engenheiro mecânico e tecnólogo em Automação Industrial, especializado em Black Belt Lean Six Sigma, auditor-líder das normas ISO 9001:2015, ISO 14001:2015 e IATF 16949:2016. Atualmente é diretor adjunto do SEESP, coordenador do Núcleo Jovem Engenheiro (NJE) da entidade e conselheiro suplente da Câmara da Engenharia Mecânica do Crea-SP, representando o sindicato

 

 

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