Soraya Misleh – Comunicação SEESP
Marcando as negociações coletivas que abrangem mais de 120 mil profissionais da categoria em setores público e privado, nos mais diversos segmentos econômicos, o já tradicional Seminário sobre Campanhas Salariais do SEESP, em sua 25ª edição, pavimentou o caminho ao diálogo e garantia de bons resultados nos acordos e convenções do trabalho.
O SEESP realizou no último dia 24 de abril seu XXV Seminário sobre Campanhas Salariais, em sua sede, na Capital. Com presença de especialistas no mundo do trabalho e representantes de empresas com as quais o sindicato negocia, o evento evidenciou ambiente favorável à valorização dos engenheiros.
Sob essa perspectiva, marcando as negociações coletivas que abrangem mais de 120 mil profissionais da categoria em setores público e privado, nos mais diversos segmentos econômicos, o já tradicional evento pavimentou o caminho ao diálogo e garantia de bons resultados nos acordos e convenções do trabalho.
Em sua 25ª edição, Seminário sobre Campanhas Salariais pavimenta caminho a bons acordos e convenções coletivas de trabalho em 2026. Fotos: Guilherme Bruno
Murilo Pinheiro, presidente do sindicato, destacou à abertura essa busca de aproximação, inaugurada há 25 anos, rumo ao “ganha-ganha”: “A saúde da empresa é a saúde do engenheiro”, e vice-versa.
“Os engenheiros e as engenheiras, acostumados a projetar pontes, sistemas, hoje estão projetando seu próprio futuro profissional com as empresas”, enfatizou o consultor parlamentar Antônio Augusto de Queiroz, o Toninho, ao saudar a 25ª edição do “importante seminário”.
Empresas e entidades patronais com as quais o SEESP negocia ao longo do ano e respectivas datas-base.
Fonte: Departamento de Ação Sindical / Arte - Fábio Souza
Segundo sua análise, em meio a profundas transformações no mundo do trabalho, que têm como protagonistas esses profissionais, as campanhas salariais de 2026 se desenvolvem em face de três fatos da conjuntura que devem nortear as ações sindicais e das empresas: ocorrem em ano de eleições gerais no Brasil e de realização da 1ª Conferência Nacional da Engenharia, além de debate sobre as relações de trabalho no País, sobretudo por estar em pauta no Parlamento o fim da escala 6x1.
No que se refere às eleições, Toninho acredita ser importante o “equilíbrio de forças” e que a governabilidade dependerá em especial da renovação de cadeiras no Senado e da disputa presidencial.
Um país a ser construído
Murilo Pinheiro (à esquerda) e Antônio Augusto de Queiroz, o Toninho. Quanto à 1ª Conferência Nacional da Engenharia, prevista para acontecer em novembro próximo, em São Paulo, o especialista vislumbra reflexos com sua realização, de natureza orçamentária, originando-se programas e fundos à engenharia, além da valorização profissional.
O consultor parlamentar trouxe dados que evidenciam sua importância: “Segundo o IMD [Instituto para o Desenvolvimento de Gestão], o Brasil ocupa a 58ª posição no ranking global de investimentos em infraestrutura e a 76ª classificação, conforme a OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico], apesar de ser a décima economia do mundo. É um país a ser construído, há déficit de obras, inovação.”
Na sua apresentação, ele revelou que a OCDE demonstra que nas nações desenvolvidas o investimento em infraestrutura, em média, corresponde a 3,5% do PIB, já o Brasil apenas 2%. “Precisa ampliar para pelo menos 5%.
Liberdade sindical como princípio
Além de mencionar o foco sobre as relações de trabalho a partir do debate sobre o fim da escala 6x1, Toninho observou que outro avanço favorece as campanhas salariais deste ano: a regulamentação da Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), relativa à liberdade sindical e direito à negociação coletiva para trabalhadores da administração pública, à qual o Brasil já é signatário. No último dia 15 de abril, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou essa proposta ao Congresso.
À frente da Coordenadoria Nacional de Promoção da Liberdade Sindical (Conalis), Alberto Emiliano de Oliveira Neto frisou que liberdade sindical é um direito fundamental, princípio constitucional. “Quando falamos sobre isso, estamos dando cumprimento àquilo que o Estado brasileiro se comprometeu com os organismos internacionais, e o sindicato tem função indispensável a sua promoção.”
Para cumprir esse papel, como explicou, precisa ter condições, com a tutela do Estado contra práticas antissindicais, o que “repercute negativamente na sua livre atuação”. Ainda nesse sentido, defendeu mecanismos de custeio de suas atividades, ao que a reforma trabalhista teve efeito deletério.
Rodrigo Vaz e Alberto Oliveira (à direita).Oliveira, que é também procurador do trabalho, salientou, diante das mudanças impostas a partir de sua aprovação em 2017, a importância de efetivamente se incentivar nas negociações a inclusão nos acordos e convenções coletivas de trabalho da contribuição assistencial/negocial para garantir essas fontes de custeio.
Outra consequência negativa da reforma trabalhista identificada por ele é a precarização das relações laborais, ante novas formas de contratação em substituição ao regime por carteira assinada. “Não vamos resolver essas questões aqui, mas as entidades sindicais não podem abdicar desse diálogo e ampliar a representação”, concluiu.
Do ponto de vista da fiscalização, houve avanços que auxiliam nesse processo, como demonstrou o auditor-fiscal do trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego, Rodrigo Vaz. Segundo ele, 900 novos fiscais aprovados em concurso público no ano passado vão se somar aos 1.700 existentes no Brasil. São Paulo contará com mais 260. Além disso, Vaz destacou avanços na informatização, como o FGTS e a carteira de trabalho digitais, bem como a nova plataforma DET [Domicílio Eletrônico Trabalhista], conferindo maior agilidade na comunicação eletrônica entre a inspeção do trabalho e os empregadores.
Bom momento às negociações
Supervisor do Escritório Regional de São Paulo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Fernando de Lima trouxe elementos econômicos e dados sobre resultados de campanhas salariais para corroborar perspectiva alvissareira.
Da esquerda para a direita, João Franzin, Fernando de Lima e João Guilherme Vargas Netto.Segundo ele, no mundo globalizado, o conflito no Oriente Médio pode vir a interferir na inflação no Brasil, sobretudo no que concerne ao aumento do preço do petróleo, mas isso ainda não ocorreu. Pelo contrário, conforme sua análise, a projeção é de expansão econômica nacional tanto em 2026 quanto em 2027. Para o ano vigente, a expectativa é de crescimento de 1,8%.
Embora inferior ao registrado nos dois últimos anos – 2,5% em 2024 e 2,3% em 2025 –, em especial devido à alta taxa de juros, Lima atestou que os indicadores são positivos, lembrando que o País conta com a “menor taxa de desemprego da história e a inflação está acomodada”.
Ele detalhou o quadro no Estado de São Paulo: “São aproximadamente 102 mil engenheiros e engenheiras CLT [com carteira assinada]. Em 2019 eram 79 mil. Houve um crescimento de 27%.” O supervisor do Dieese informou que foram mais de 500 novos postos na área em 2025-2026. Ademais, conforme sua análise, 40% dos desligamentos se deram a pedido dos empregados no Estado, o que evidencia mercado de trabalho aquecido.
O impacto positivo é sentido nas campanhas salariais, como indicou: 77% das negociações coletivas no Brasil resultaram em aumento real em 2025, cuja média foi 0,87%; no início deste ano, os bons resultados foram em 90,9% das negociações, com média de 1,88%.
Para o diretor da Agência Sindical, jornalista João Franzin, nas campanhas salariais, o caminho é buscar pontos de convergência entre as demandas do setor produtivo e dos trabalhadores. Além disso, valorizou a comunicação por parte das entidades sindicais sobre os avanços e conquistas às suas bases. Na sua visão, é necessário transmitir à sociedade a esperança, a partir de fatos concretos, como os ganhos como a isenção do Imposto de Renda a quem recebe até R$ 5 mil mensais. “Temos que fazer isso, injetando essa ideia, para dar perspectiva às pessoas.”
Na mesma linha, o consultor sindical João Guilherme Vargas Netto constatou contradição entre uma percepção social intransigente e a base econômica positiva, defendendo que os sindicatos ajudam a qualificar o debate em prol do País.
Na sua ótica, boas negociações entre o SEESP e as empresas já cumprem essa função. Ainda nessa direção, saudou a realização do seminário por 25 anos consecutivos. O evento dará sua contribuição ao “avanço, perspicácia e concepção correta de trabalho respeitoso, mas firme, procurando garantir os direitos que a categoria deve ter”.
Com a palavra, as empresas
Mariana Palotta (Enel, à esquerda), Eduardo Gutierres (CPFL Energia) e Paula Menezes (Comgás).Os representantes das companhias presentes ao seminário sinalizaram estar abertos a esse caminho. “O diálogo está aberto, não só na data-base, mas de forma sustentável. Já estamos conversando, na busca de senso comum em que ambas as partes saiam assim com acordo fechado”, ratificou Paula Francinete da Silva Menezes, recursos humanos da Comgás.
Na mesma linha, Mariana Palotta, da Enel, sublinhou que “sempre construímos soluções com o sindicato para termos bom acordo”.
Igualmente o fez Eduardo Gutierres, analista sênior de relações sindicais da CPFL Energia: “Estamos à disposição para conseguir fechar acordo, de modo que ambas as partes fiquem contentes.”
Já para Márcio Affonso, gerente de relações do trabalho da Sabesp, “o quadro [para tal resultado positivo] já está pintado, construído nas negociações com diálogo e responsabilidade”.
Lembrando que as negociações coletivas se iniciam em maio junto à CTG Brasil, sua representante, Daniela Galdino, afirmou que a conversa com o SEESP é sempre “muito mais estruturada, o que ajuda a caminhar para o que faça sentido às empresas e trabalhadores”. Ela destacou ainda que são parte dessas negociações questões fundamentais aos engenheiros como inovação e educação.
Eugenio Calil (Embraer), Daniela Galdino (CTG Brasil) e Márcio Affonso (Sabesp, à direita).Eugenio Calil, gerente de relações trabalhistas e sindicais da Embraer, fez questão de expressar o respeito pelo SEESP e seu presidente e reconhecer sua idoneidade, ao tempo que destacou a essencialidade da realização do seminário rumo a bom acordo nas campanhas salariais.
Ele ressaltou ainda a importância do investimento na educação e qualificação da mão de obra, mencionando o exemplo da Embraer, que conta com seu Programa de Especialização em Engenharia (PEE). Por fim, lembrou que dos 400 mil funcionários da companhia, 1% são profissionais da categoria.
Ao encerramento, Murilo defendeu: “Vale a pena a luta que estamos travando. Sindicato forte é sinônimo de democracia. Vamos juntar forças, ter esperança e olhar para um futuro muito bom.”
Confira o XXV Seminário sobre Campanhas Salariais na íntegra:






