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Fechando as plenárias no V EcoSP, o tema foi abordado pelo professor José Bezerra Pessoa Filho, do IAE/CTA. O especialista traçou histórico das pesquisas e descobertas espaciais e sua importância para a humanidade.

       Fechando as plenárias no V EcoSP, no final da tarde do dia 5 último, o tema foi abordado pelo professor José Bezerra Pessoa Filho, do IAE/CTA (Instituto de Aeronáutica e Espaço/Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial). O especialista, em sua preleção, traçou histórico das pesquisas e descobertas espaciais e sua importância para a humanidade. Segundo ele, a preocupação com o assunto está presente entre cientistas há muitos séculos. “Kepler, em carta a Galileu Galilei de 19 de abril de 1610, destacou que enquanto não fossem criados os meios para a viagem ao espaço, eles deveriam criar mapas celestes.”

       Num salto no tempo, Bezerra enfatizou a contribuição dada a partir da Segunda Guerra Mundial. Depois, na corrida espacial entre Estados Unidos e a antiga União Soviética, esta última lançou em 4 de outubro de 1957 o satélite Sputnik I. Em reação, seu rival lançou o desafio da chegada do homem à Lua, o que ocorreu no Natal de 1968, com a nave Apollo 8. Naquele primeiro momento, os astronautas orbitaram o satélite, mas o pouso só ocorreria em julho de 1969. Conforme o palestrante, um dos participantes da missão teria afirmado: viemos explorar a Lua e acabamos descobrindo a Terra.

       Como resultado dessa disputa entre as duas grandes potências por hegemonia global, de acordo com o palestrante, muitas transformações ocorreram nos anos 60. Cresceu também a preocupação com o meio ambiente. “Desde o Sputnik, cerca de 5 mil satélites foram colocados no espaço.” Desses, conforme sua explanação, aproximadamente mil, muitos de telecomunicações, ainda encontram-se ali, sendo 50% dos EUA e boa parte do restante da Rússia, China e Índia.

       Além de contribuições à meteorologia, a avaliações como sobre o desmatamento na floresta amazônica e outros impactos ao meio ambiente, para Bezerra o principal legado da era espacial é a possibilidade de se ter uma visão global da Terra. E assim perceber a necessidade premente de preservação e de mudança nos estilos de vida, produção e consumo.



foto: Beatriz Arruda
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Estratégias para reduzir gases do efeito estufa e o aquecimento global foram abordadas.

       O quinto bloco de palestras do V EcoSP, realizado na tarde do último sábado (5), discutiu a neutralização de gases do efeito estufa, a recuperação de áreas degradadas e o mercado de crédito de carbono. A palestra foi ministrada por Heloisa Candia Hollnagel, da Agência Ambiental Pick-upau.

       No início de sua apresentação, ela traçou um panorama histórico dos marcos regulatórios que demonstram a preocupação do ser humano com as mudanças do clima, entre eles o Protocolo de Kyoto (1997), o Rio + 10 (2002) e a implementação da Lei nº 12.187 (2009), que dispõe acerca da Política Nacional sobre Mudanças do Clima.

       Conforme a especialista, essas iniciativas visam o desenvolvimento sustentável, isto é, satisfazer as necessidades presentes de produção e consumo sem comprometer a capacidade das gerações futuras e o equilíbrio ambiental do planeta. “É nesse contexto que surge o conceito de gestão ambiental, caracterizado por um conjunto de políticas, programas e práticas administrativas e operacionais que levam em conta a saúde e a segurança das pessoas e a proteção do meio ambiente”, citou.

       Durante a palestra, Hollnagel explicou o que é um inventário de GEE (Gases do Efeito Estufa) – um diagnóstico de uma empresa, setor econômico, cidade, estado ou país para se determinar fontes que geram esses gases nas atividades produtivas e a quantidade lançada na atmosfera. Esse relatório segue padrão internacional e para realizá-lo é necessário definir os limites organizacionais do inventário e os operacionais, selecionar metodologia de cálculo e fatores de emissão, coletar dados das atividades que resultam na emissão de GEE, calcular as emissões e por fim elaborar o relatório.

       Conforme a palestrante, com os resultados do inventário de GEE, é possível contribuir para a diminuição dos gases na atmosfera, captar recursos ou novos investimentos (economia verde), planejar processos que garantam a eficiência econômica, energética ou operacional, reduzir custos e gerar oportunidades de novos negócios no mercado de créditos de carbono através das RVE (Reduções Verificadas de Emissões), REDD (Reduções das Emissões de Desmatamento e Degradação) e Incremento de Estoque de Carbono Florestal. A comercialização desses créditos no Brasil é definida pela norma ABNT–NBR 15.948, que especifica princípios, requisitos e orienta a atividade no mercado voluntário de carbono.

       Sobre a recuperação de áreas degradadas, Hollnagel citou alguns exemplos de degradação, tais como desmatamento, incêndios, queima de combustíveis fósseis e aterros sanitários. “O conceito de recuperação está associado à ideia de que o local alterado deverá ter qualidades próximas às anteriores, devolvendo o equilíbrio dos processos ambientais”, explicou.

       Entre as estratégias de recuperação, sucessão ecológica – recuperação natural, reflorestamento, indução do banco de sementes/plântulas e enriquecimento vegetal. “Os projetos de reflorestamento devem conter estudo dos remanescentes florestais dos locais a serem recuperados, levantamento das condições ambientais e possíveis formas de degradação, análise do solo e escolha do modelo de recuperação, de acordo, é claro, com os objetivos e características locais”, explicou.



foto: Beatriz Arruda
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O uso de aquecedor solar como alternativa ao chuveiro elétrico e a cobrança pelo uso da água foram temas abordados na manhã deste sábado (5), durante o EcoSP.

       O uso de aquecedor solar como alternativa ao chuveiro elétrico e a cobrança pelo uso da água para assegurar recursos à preservação foram os temas abordados na manhã deste sábado (5), no EcoSP (Encontro Ambiental de São Paulo). Claudete Canada abriu a plenária. Doutoranda em recursos hídricos pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), ela recorreu em sua fala à Declaração de Dublin, de 1992, para explicar de onde surgiu a ideia da cobrança, ainda incipiente no Brasil. O documento a que se referiu, segundo relatou a especialista, foi resultado de uma conferência na capital irlandesa que reuniu mais de 500 pessoas e 100 países. A preocupação central era como atuar perante a escassez de recursos hídricos, “ligada ao desperdício”. Entre as conclusões, a declaração aponta o papel crucial da sociedade para garantir água no futuro e a necessidade de sua conservação e gestão, tendo em vista que a cada 20 anos dobra o volume consumido pela população. Proteção e preservação que, disse Canada, “devem ser promovidas em todos os usos econômicos”. O caminho encontrado para melhorar a eficiência seria a cobrança pela utilização da água - o que está previsto, de acordo com a especialista, nas políticas paulista e nacional de recursos hídricos e vai se expandir no País. O repasse a quem está nas bacias hidrográficas vem “através de projetos para garantir os diversos usos”, completou. A forma de resolver conflitos, na sua ótica, seria instituir tribunais da água, a exemplo do que existe em países europeus.

       Outro tema fundamental quando se fala em preservação ambiental, a eficiência energética foi abordada por Paulo Roberto dos Santos, também doutorando pela Unicamp. Destacando sua importância, já que o consumo atual – em constante ascensão - vai dobrar até 2030, ele explanou sobre o assunto a partir de estudo de caso sobre os “impactos do uso solar para o aquecimento de água em novos conjuntos habitacionais populares no Brasil”. A análise foi feita com base em projeção feita caso as 1 milhão de moradias prometidas pelo governo federal na primeira fase do programa “Minha casa, minha vida” utilizassem aquecedor solar em lugar de chuveiro elétrico. Uma das conclusões é que a redução de picos de consumo seria imensa, “o que faria muita diferença” para o sistema como um todo. “Consigo economia e sucessos ambientais enormes”, complementou.

       O chuveiro elétrico, “uma invenção brasileira”, presente em aproximadamente 73% dos domicílios no País, representa cerca de 25% da conta de energia nas residências. “O investimento inicial e de instalação é baixo, é muito eficiente (para garantir banho quente), mas o consumo é muito elevado”, enfatizou Santos. Como faltam incentivos governamentais ao uso de aquecedores solares e seu custo não é tão vantajoso - além de a eficiência depender da temperatura ambiente -, a utilização híbrida com os chuveiros elétricos seria, na sua concepção, a solução. Asseguraria melhora na eficiência energética e menor impacto ambiental, segundo sua preleção.



foto: Beatriz Arruda
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Universalização do acesso aos serviços públicos de saneamento básico é o principal desafio do setor, afirma especialista

       O último tema abordado na tarde desta sexta-feira (4) no V EcoSP, foi “Projetos de saneamento para o Estado de São Paulo”, ministrado por Wanderley da Silva Paganini, da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo). 

       Discorrendo sobre as iniciativas para ampliar e melhorar os serviços de saneamento, o palestrante destacou que o componente ambiental é inerente à essa atividade. “É fator decisivo na definição de alternativas tecnológicas e na escolha das áreas, imprescindível na obtenção de recursos financiados e na redução de custo de capital. Além disso, cria responsabilidade pelos resíduos gerados e pelos efluentes”, ressaltou.

       Paganini enfatizou também a importância da gestão ambiental nas estruturas das empresas do setor. Para ele, essa ação deve ser apoiada nos pilares da conformidade ambiental, que atua diretamente no efeito, e na mudança de cultura que precisa ocorrer interna e externamente a fim de garantir as soluções ambientais e diminuir os problemas de exposição de resíduos e das desconformidades das estações de água e tratamento de esgoto.

       Ainda segundo o palestrante, um empreendimento de saneamento é dividido em três etapas: concepção, implantação e operação. A primeira leva em média dois anos para ser concluída. Já a segunda pode ser finalizada em três anos e a operação dura 30 anos. “É fundamental considerar as mudanças de legislações e as limitações já no projeto. Uma das dificuldades do passado foi não considerar o licenciamento ambiental efetivamente para antever problemas. Portanto, na fase de estudo e concepção é crucial olhar esses aspectos porque se errar nessa etapa pagará por 30 anos”, alertou Paganini.

       Ainda segundo ele, as obras de saneamento devem representar barreiras sanitárias sem efeito colaterais. “Temos que pensar na localidade, nos efluentes líquidos, sólidos e gasosos, e também no desconforto que uma estação de tratamento pode trazer, como odor e ruído. Se agirmos assim, vamos fazer bons projetos e a legislação será um auxílio”, acredita. 

       Entre os fatores de sucesso dos empreendimentos de saneamento, o especialista ressaltou a interação das áreas envolvidas – concepção, implantação, operação e desativação, para a melhoria continua, inclusão de requisitos ambientais nas várias etapas e prevenção novos passivos. “O empreendimento deve atender os requisitos ambientais, tais como atendimento à legislação e compromissos, uso racional e sustentável dos recursos naturais, fomento à tecnologias limpas, redução de emissões e minimização, reciclagem ou reutilização de resíduos e efluentes”, recomendou.

       Nesse sentido, citou algumas ações operacionais dentro da política ambiental, tais como limpeza e coberturas de lagoas, recuperação de biogás em lagoas anaeróbias, automação de estações de tratamento de esgotos, programa corporativo de redução de perdas, compostagem, uso agrícola do lodo de estação de tratamento, reúso não potável de efluentes, fertirrigação, uso racional da água, viveiro de mudas e educação ambiental.

       Com a implantação dessas ações, Paganini disse os benefícios esperados são sustentabilidade empresarial, satisfação dos clientes, mudança de cultura empresarial, potencial para redução dos custos de capital, gerenciamento de riscos associados a mudança climática, incremento de eficiência e redução de custos operacionais. “As empresas de saneamento devem buscar as melhores tecnologias e os menores custos para conseguir a sustentabilidade e a universalização de água e de coleta de esgoto, tratamento e disposição final”, concluiu.


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Destinação incorreta desse tipo de material em aterros e lixões e a queima a céu aberto podem causar inúmeros impactos ambientais, afirma especialista

       Apresentar soluções técnicas que permitam reduzir o volume gerado e valorizar os resíduos da arborização urbana foi o foco da palestra ministrada pela professora Adriana Nolasco, do Departamento de Ciências Florestais da Esalq/USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo), na tarde desta sexta-feira (4), no V EcoSP.

       Em sua explanação, ela explicou que os resíduos da arborização são provenientes das operações de poda e remoção de árvores e manutenção de jardins, realizadas tanto por cidadãos quanto pelas prefeituras e empresas privadas. Ainda segundo a palestrante, esses resíduos representam uma parcela importante do lixo gerado nas cidades e que a falta de programas para a disposição correta desse tipo de material resulta no descarte impróprio em aterros e lixões e na queima a céu aberto, causando inúmeros impactos ambientais. “A gestão dos resíduos sólidos urbanos é um dos principais problemas ambientais nos municípios brasileiros. Em São Paulo a estimativa de geração de resíduos da arborização urbana é de cerca de 4 mil toneladas por mês”, citou Nolasco.

       Conforme a palestrante, as prefeituras são responsáveis pela destinação do resíduo e que elas enfrentam uma série de limitações como falta de recursos financeiros e de profissionais capacitados para atuar junto ao problema. 

       Nesse contexto, Nolasco acredita que a solução pode ser obtida com o bom senso na aplicação de recursos pelos municípios, na utilização de tecnologias e métodos adequados,no respeito às peculiaridades econômicas, sociais e culturais locais e muito planejamento.“ É fundamental que a solução seja baseada em ações planejadas, coordenadas e integradas, aliando atividades administrativas, técnicas e educativas adequadas às características e condições locais e também compartilhar responsabilidades entre o setor público, cidadão e setor privado”, sugeriu.

       Assim, os planos de gerenciamento de resíduos têm que prever a quantidade gerada, planejar o uso e empregar o material em soluções benéficas. Ações para reduzir a geração, capacitação da mão de obra e investimento na educação ambiental também devem ser incorporadas no plano de gerenciamento.

       Quanto à valorização dos resíduos, Nolasco disse que é preciso selecionar o material, ou seja, caracterizar e quantificar o volume, determinando a densidade, o teor de umidade, a cor, a quantidade de carbono fixo e as cinzas. Essas variáveis indicam se os resíduos têm potencial energético para uso como lenha e carvão; se é melhor produzir composto orgânico; fazer cama de frango; cobertura de solo na agricultura; criar pequenos objetos de madeira, como cabos de ferramenta, brinquedos e utensílios domésticos, entre outras formas de aproveitamento obtendo assim o máximo de retorno econômico, social e ambiental. “Apesar das inúmeras soluções, somente 4% dos municípios no Estado de São Paulo aplica de alguma forma a valorização”, destacou.

       A professora da USP recomendou ainda que as soluções não devem ser delegadas a uma única alternativa, mas a uma rede integrada de soluções capazes de satisfazer as necessidades de correta destinação dos resíduos. “Não deve ser pensada apenas a curto prazo, mas também a médio e longo prazo e situações emergenciais. Soluções devem estar organizadas em um plano de gerenciamento de resíduos com recursos humanos e financeiros, responsáveis, responsabilidades, métodos de implementação e monitoramento definidos e aprovadas como lei – garantia de compromisso e continuidade”, concluiu.


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04/11/2011

Do lixo ao luxo

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Ideia de promover desfile de moda com roupas feitas a partir de materiais recicláveis para a conscientização ambiental vem sendo adotada por empresa alemã, indicou seu representante no EcoSP.

        Um desfile de moda com materiais recicláveis, que envolve colaboradores da empresa e alunos sobretudo de escolas públicas próximas a uma de suas unidades no Brasil. Esse é um dos projetos de sustentabilidade da empresa Henkel, afiliada à VDI-Brasil (Associação de Engenheiros Brasil-Alemanhã), apresentado pelo engenheiro Orlando Oliveira, na tarde desta sexta-feira (4), no V EcoSP (Encontro Ambiental de São Paulo). Responsável pela área de cosméticos da companhia, ele expôs imagens de algumas das vestimentas criadas com câmaras de pneus e sacolas plásticas, por exemplo, numa proposta que tem dez anos e busca, conforme sua preleção, a conscientização e educação ambiental.

        Além desse projeto, Oliveira apontou outras iniciativas nessa linha, bem como o treinamento de profissionais e o desenvolvimento de produtos pela Henkel, no Brasil e no mundo, sob a ótica da sustentabilidade. Entre seus objetivos, estariam reduzir o consumo de água, energia e geração de resíduos. À exceção da diminuição de metais pesados, “alvo da empresa nos próximos cinco anos”, as demais metas, como garantiu Oliveira, vêm sendo alcançadas. Demonstrando que o ganho ambiental pode se transformar em lucro, ele enfatizou: “Obtivemos até 2010 um aumento nas vendas em 18%.”




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Duas iniciativas apresentadas na quinta edição do EcoSP visam dar conta desses desafios.

        O tema foi abordado em duas palestras, durante a tarde do dia 4 de novembro, na segunda sessão plenária do EcoSP (Encontro Ambiental de São Paulo). Em sua quinta edição, o evento contou com a apresentação de Letycia Janot, da Iter Consultoria e do Sinesp (Sindicato dos Nutricionistas do Estado de São Paulo), sobre consumo responsável do recurso hídrico, e de Márcio Correia Ribeiro, do Daee (Departamento de Águas e Energia Elétrica), que discorreu acerca do Programa Água Limpa.

        Introduzindo o assunto, Janot destacou que o modelo atual não é sustentável a longo prazo. Baseia-se, conforme sua explanação, na superexploração de recursos naturais, resulta em muitas perdas e gera volumes consideráveis de resíduos a serem descartados. “Temos que promover mudanças no estilo de vida atual, seja na impermeabilização do solo, na questão do transporte, fontes de energia, através de ações integradas” - de governo, corporações e individuais. Ela acrescentou: “É preciso mudar o processo produtivo, de modo que se tenha materiais reaproveitados indefinidamente ou completamente biodegradáveis, e a forma de consumo, por meio da educação ambiental.” Para assegurar a conscientização, de acordo com Janot, é imprescindível fornecer informações transparentes aos consumidores sobre os impactos nos hábitos de consumo.

        A consultora apresentou o projeto “Água na Jarra”, da ONG Igtiba (em tupi-guarani, água em abundância, como explicou ela), da qual é uma das sócias-fundadoras, como uma iniciativa para despertar o consumo responsável entre os cidadãos. Trata-se de elucidar sobre o valor de se consumir água filtrada em detrimento da engarrafada. “O objetivo é priorizar seu uso, o que vai além de reduzir as PETs; valorizá-la custo menos e tem a ver com a importância de proteção dos mananciais.” Ademais, vai ao encontro de movimento mundial “a favor da água da torneira”. Na vanguarda, segundo Janot, 14 restaurantes no Estado de São Paulo se engajaram a essa proposta e passaram a servir a seus clientes o líquido filtrado, “na jarra”.

        O Programa Água Limpa, do Daee, objeto da palestra de Ribeiro, casa-se, como indicado por ele, com a ideia de sustentabilidade pensada no projeto da Igtiba. Com investimentos da ordem de R$ 616,06 milhões financiados pelo Governo do Estado a cidades a fundo perdido, dos quais R$ 98 milhões já aplicados em obras concluídas, deve beneficiar, asseverou o representante do órgão, 3,1 milhões de habitantes quando finalizado, em 2017. O universo corresponde a 280 municípios paulistas não operados pela Sabesp, em que estão projetadas ou em desenvolvimento ações para assegurar sobretudo coleta e tratamento de esgoto. Em sua apresentação, o quadro que o programa tenta reverter, pelo menos localmente: sete crianças morrem diariamente no País, vítimas de diarreia, e mais de 700 mil pessoas são internadas por falta desses serviços. “O acesso ao saneamento reduz em 36% essas incidências”, atestou Ribeiro, para quem ainda os engenheiros são peça-chave para tocar essa iniciativa.



foto: Beatriz Arruda
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