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12/05/2026

A explosão no Jaguaré e a tragédia anunciada

Nestor Tupinambá

 

ExplosaoJaguare ReproducaoRedesSociaisEscombros da explosão no Jaguaré que matou uma pessoa e deixou 170 desalojadas. Imagem: Reprodução Redes SociaisA Sabesp, antes de ser privatizada, distribuía 25% dos seus lucros aos acionistas. O restante era destinado à construção e manutenção de sistemas de águas e esgotos nas pequenas cidades do Estado sem recursos próprios para tais investimentos. Era o avanço civilizatório e do subsidio cruzado, que garantia bem-estar, saúde e empregos nessas localidades.

 

Dias antes do leilão que privou o povo paulista de uma companhia essencial, a regra foi mudada: 100% de dividendos para acionistas.

 

Essa sanha pela acumulação financeira de poucos parece ser a única motivação para a entrega ao mercado. Lucrativa e eficiente, a Sabesp estava prestes a atingir as metas de universalização previstas no marco regulatório do setor, o que faria dois anos antes do prazo estabelecido em lei.

 

O equívoco da privatização no setor de saneamento, essencial e vital, é comprovado pelo movimento de reestatização observado no mundo após a população ser submetida aos mesmos problemas: tarifas mais altas, serviço ruim. É o que se viu com a britânica Thames Waters; com a companhia que passou a operar a cidade portuguesa de Braga; e com a Lyonnaise des Eaux, francesa que havia abocanhado o saneamento de Buenos Aires, na Argentina.

 

Para além do rebaixamento da qualidade, a operação de tais serviços públicos segundo a lógica do mercado e do lucro acima de tudo, também pode produzir tragédias, a exemplo da explosão ocorrida no bairro paulistano do Jaguaré, nesta segunda-feira (11/5). Uma obra da Sabesp atingiu uma tubulação da Comgás, causando a morte de uma pessoa, deixando duas em estado grave e mais cerca de 170 desalojadas.

 

É mais que hora de repensar a lógica neoliberal de mercantilização da vida. 

 

NestorArtigo

 

 

Nestor Tupinambá é engenheiro civil (EESC/USP), mestre em Planejamento Urbano (FAU/USP) e consultor. Integra o Conselho Fiscal do SEESP para a Gestão 2026-2029.

 

 

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