logo seesp

 

BannerAssocie se

12/05/2026

Pesar pela tragédia, repúdio ao desmonte técnico do saneamento

NOTA PÚBLICA DO SEESP

Foto: Reprodução/DCMA explosão ocorrida nesta segunda-feira (11/5), no Jaguaré, na Zona Oeste de São Paulo, que deixou uma pessoa morta e mais 170 desalojadas, durante obras na rede de saneamento, representa uma tragédia que exige apuração rigorosa, responsabilização e profunda reflexão sobre os rumos da gestão do setor.

 

O episódio lança luz sobre um processo preocupante de desestruturação técnica e operacional que vem atingindo a Sabesp nos últimos anos, marcado pela privatização, pela redução acelerada dos quadros próprios e pela perda de profissionais altamente experientes, justamente aqueles responsáveis pela transmissão de conhecimento acumulado ao longo de décadas.

 

O saneamento básico é uma atividade complexa, estratégica e de alta responsabilidade. Sua operação depende não apenas de equipamentos e contratos, mas sobretudo de inteligência técnica, experiência prática, planejamento e formação continuada. Tecnologias sofisticadas utilizadas em intervenções urbanas, especialmente as não destrutivas, exigem mão de obra altamente qualificada, treinamento permanente e domínio de conhecimentos que muitas vezes não estão nos manuais, mas são construídos na vivência cotidiana dos profissionais do setor.

 

Ao priorizar exclusivamente indicadores financeiros de curto prazo, com sucessivos programas de desligamento incentivado, enxugamento de equipes e substituição de trabalhadores experientes por estruturas terceirizadas e precarizadas, compromete-se esse patrimônio técnico indispensável à segurança das operações e à qualidade dos serviços prestados à população.

 

A saída em massa de engenheiros, técnicos e operadores com profundo conhecimento dos sistemas de abastecimento, manutenção e gestão operacional produz impactos que não podem ser ignorados. Não se trata apenas de reduzir custos administrativos, mas de enfraquecer a capacidade de resposta, planejamento, supervisão e tomada de decisão em um setor essencial à vida e ao desenvolvimento.

 

É preciso reconhecer que o conhecimento técnico acumulado no saneamento é estratégico para o País. Sua destruição não pode ser tratada como mero ajuste corporativo ou consequência inevitável de modelos privatistas orientados apenas pela lógica financeira.

 

Diante da gravidade da tragédia no Jaguaré, reafirmamos a necessidade de valorização dos profissionais do setor, recomposição dos quadros técnicos, fortalecimento da engenharia nacional e revisão urgente de políticas de gestão que colocam em risco a segurança dos trabalhadores, a integridade das operações e o interesse público.

 

Nossa solidariedade às vítimas, familiares e trabalhadores envolvidos neste episódio tão doloroso.

 

Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (SEESP)

 

Lido 146 vezes

Receba o SEESP Notícias *

agenda

ART site SEESP 2025